Pois muito bem. Dito isto, é de se reconhecer que a sexta-feira não é um dia talhado para as grandes indagações universais. A proximidade do "findi", o cheirinho da cerveja que se aproxima, a preguiça soteropolitana que invade o paulistano, tudo recomenda uma postura de serenidade e sossego. Portanto nada melhor do que uma historinha real e peculiar, motivadora do poema que segue abaixo. De algum tempo para cá, desde que meus cabelos começaram a ficar de outra cor, algumas pessoas acham que fiquei parecido com Vinicius de Morais. Há até quem me chame de "Vininha" e jure que sou a reencarnação do poeta, como se fosse permitido às almas que por aí passeiam ocupar corpos já em uso por outras almas menos nobres.
Evidente que isso me causa certo orgulho e me lisongeia. Pelo menos até certo ponto. Mas o fato é que, hoje, até eu me acho a cara dele, de tanto ouvir isso.
Daí, após essa longa história, o motivo do poeminha de hoje, o qual já é sobejamente "manjado" pelas pessoas que me conhecem bem:
EU QUERIA SER VINÍCIUS
No instante em que comecei a lê-lo
Eu já queria ser Vinícius.
Ao saber com quanto desvelo
O poeta exercera seu ofício,
Desfiando, belo, o novelo
Da vida em pleno exercício,
Mais eu queria ser Vinícius.
Quando vi sua alma de menino
Mais eu queria ser Vinícius.
Ao vê-lo tão sensível e londrino,
Vivendo sem nenhum desperdício,
Ao ouvir seu verso fino,
Entoado com saber vitalício,
Mais eu queria ser Vinícius.
E era em mim tão forte o apelo
De querer ser e ser Vinícius,
De desvendar o coração com zelo,
Fazer da mulher um nobre vício,
Que um dia olhei-me no espelho
E entre os respingos de dentifrício
Eu juro que vi Vinícius.
Lindo!Lindo!Lindo!!!!
ResponderExcluirViva o mais completo poeta do mundo!!!
Vinícius de Moraes...
"Soneto da Fidelidade"
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Maravilhoso Mario, bjs Raquel
ResponderExcluirVininha,
ResponderExcluiraté que enfim vc acreditou em mim.
O poeminha é bom demais, ou de moraes?
Acho até que vc não é só Vininha, é de Moraes!
Amei! por Vinicius e por vc.
Bjs
sylvia bentivegna